segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

ruradélica

novo clipe do Supercordas.
uma delícia. da felicidade siamesa.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

ah, é, eu mudei pra cá - http://cartasparaalemdomuro.blogspot.com/

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Ode ao arrepio.

das feições dos violinistas aos gestos do maestro. e aos fechar de olhos.

(beethoven - pastoral III. destaque quando estiver faltando 3:36... até o final)

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A louca e a madrugada


Se estou lavando meus braços, é porque acho que preciso. Se lavo minhas mãos, desculpe, não é sem consciência. Lavo meus cabelos para tirar o cheiro. Lavo meu rosto para tirar a pintura. O pescoço, o perfume. A boca, meu sabor. Fecho meus olhos para protegê-los. E não é por medo, eu sei disso. Estou limpando minhas feridas. Minha pele vai ficando mais pura, aos poucos, mais fresca. Já tirei toda a roupa que guarda meu corpo, já me libertei nesse sentido. Isso eu também acho que foi preciso. De minha cabeça, vai se perdendo a reflexão – também lavo meus pensamentos. Meu coração vai se livrando, vai jogando as lembranças... os medos... os rostos dos meus amores...as saudades...as decepções... Pode parecer fácil, para os sãos, se jogar assim ao vento. Para os que se chamam de sãos, os que acham que são sãos. Mas a louca se senta no canto frio para tentar achar em si mesma o calor. E se me lavo a ponto de me encontrar insípida...

É para achar o quê, louca???

(shhhhhh...dessa vez eu vou guardar isso pra mim.)


rené aubry - blue lady
(imagem - edward weston)

domingo, 16 de setembro de 2007


terça-feira, 11 de setembro de 2007

Nouvelle Vague



"Once I had a love and it was a gas
Soon turned out had a heart of glass
Seemed like the real thing, only to find
Mucho mistrust, love's gone behind
Once I had a love and it was divine
Soon found out I was losing my mind
It seemed like the real thing but I was so blind
Mucho mistrust, love's gone behind
In between
What I find is pleasing and I'm feeling fine
Love is so confusing there's no peace of mind
If I fear I'm losing you it's just no good
You teasing like you do..."

heart of glass - versão nouvelle vague
(É ESSA SEXTA, HEIN?)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

São Paulo e Sankai Juku, resumindo.



... exaustos, mas muito felizes, e sem saber se essa exaustão era da nossa viagem ou do nosso próprio arrebatamento.

(depois eu vou colocar um link para as fotos da viagem aqui. agora eu vou tomar um banho, tomar um café e tentar fazer alguma outra coisa senão escrever, escrever, escrever...)

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

adoro quando sei lá ~

é que eu tenho um jardim secreto dentro de mim.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Assim, livre...



meu livro, um cobertor e os gatos dormindo nos meus pés.
sem mais (pela vida inteira) em um dia de chuva.


(imagem: madoka sakamoto)

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Tenho dias lindos, mesmo quietinhos...

Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo. Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio... Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo. Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros. Tive vontade de sentar na calçada da rua augusta e chorar, mas preferi entrar numa livraria, comprar um caderno lindo e anotar sonhos.
-

6 frases de Caio, unidas em um sentido tudo a ver.
me perco e me construo,
prontamente.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

textinho desgarrado



não, definitivamente minha vida não é um filme minimalista japonês. tá mais para filme turco sem sentido apaixonado ou daqueles italianos que eu adoro mas que são meio loucos, com aquelas mulheres descabeladas de risadas que dão medo, é bom ser louco assim, mas só enquanto arte, às vezes, eu acho, que aí é bom, quando é só arte e não vida. minha vida é feita de cenas de saias esvoaçantes, isso eu falei antes, e que aí fica meio francês, e de closes nas borboletas pregadas em meus cachos, nos cachos dos meus cabelos e isso eu já falei também, a confusão é sempre a melhor estratégia, pois é. os violinos estão sempre presente, isso sem dúvida, e muitas cores, muitas cores, e crianças também. e vento, tem isso também, e tem muita dança e pureza bandida. tem também bebida e palavras revoltadas, daquelas que nos fogem nos berros e depois a gente nem reconhece. e tem abraço e carinho e tem beijo desapegado e sentimento perdido e muito diálogo, sabia? muito di-á-lo-go.



hoje minha vida tá mais pra filme espanhol , com música sofrida gostosa e closes desfocados, e a diretora consegue manter o humor no que poderia ser um melodrama.


lhasa - de cara a la pared
(imagem - La Jetée )

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

la embriaguez

everyone's taking everything they can
everything they can

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Cheiro de vó

cheira a protetor solar, a pó de arroz, a bolo de natal. cheira a whisky, sabonete e cigarros. cheira a perfume forte, a esmalte e a Frank Sinatra. cheira a segurança , cheira a mimo. a denguinho e cafuné. cheira a chiclete da segunda gaveta (do lado da cama, no lado dela). cheira a gargalhada. cheira a seriado americano. cheira a novo pacotinho de figurinha - 10 para cada neto. cheira a domingo. cheira a tudo bem. a vai ficar bem.

a infância.
a lembrança.
cheira a medo de cheirar cheirava.

sia - sunday

(imagem - banksy)

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Para quem gosta do velho safado

xô fazer uma propaganda aqui.



Gente, tem uma peça goshhtosa rolando no Teatro Leblon chamada Pão com Mortadela, texto inspirado no livro Misto Quente, do queridíssimo maldito Charles Bukowski. Simplesmente narra a infância e adolescência super lights de Henry Chinaski, protagonista (e personagem autobiográfico) de cinco livros do fofo, assim como histórias curtas e poemas. A peça é deliciosa, simples, real, sem frufru. Os atores são ótimos (e hilários) e mesmo tendo um conteúdo pesado, não cai no drama. Até porque se caísse, não ia fazer o menor sentido e até o próprio Bukowski levantaria da platéia, sairia do teatro e iria para o bar.

Se bem que ele ia fazer isso de qualquer maneira...

Mas taí a dica, PÃO COM MORTADELA, no Teatro Leblon - 3as e 4as, às 21Hs, direção de João Fonseca, texto adaptado pelo diretor e pelo ator Sacha Bali (AÍÍÍ, SACHAAA!!!) que, por acaso, interpreta o próprio Henry. Maravilhosamente bem, aliás.


“(bebemos aqui e falamos uns
com os outros e parecemos saber.)


pinte a vaca com as maiores tetas
pinte a vaca com a maior garupa


o cara do balcão faz deslizar uma cerveja pra mim
e ela percorre o trajeto”

Charles Bukowski
(pá finalizá cum classe)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Don't you know your baby?

(às vezes não sei se sou real ou se sou um personagem de um dos meus romances...)


“Em vez de sentir tanta pena de si mesmo, escute", disse ela. (Ela sempre diz “escute”, porque ela pensa enquanto fala, realmente pensa.) Assim, disse: “Escute. Suponha que esse desmoronamento não tenha sido em você... suponha que seja um desmoronamento no Grand Canyon.”
“Foi em mim”, eu disse heroicamente.
“Escute! O mundo só existe nos seus olhos, na sua percepção de mundo. Você pode fazê-lo tão grande ou tão pequeno quanto quiser. E você está tentando ser um sujeitinho fraco. Céus, se eu desmoronasse, tentaria fazer com que o mundo caísse comigo. Escute! O mundo só existe da maneira como cada um de nós o apreende, de modo que é muito melhor dizer que não foi você quem desmoronou: foi o Grand Canyon”
“Já despejou todo o seu Spinoza?”
“Não sei nada sobre Spinoza. Sei...” Então ela falou de antigas fendas suas, que pareciam, pelo modo como as contava, muito mais dolorosas que as minhas, e de como elas enfrentara, superara e derrotara.
Senti uma certa reação ao que ela disse, mas sou um homem de pensamento lento, e o ocorreu-me simultaneamente que, de todas as forças naturais, a vitalidade é a mais incomunicável. Nos dias em que a seiva flui dentro de nós como um artigo que não foi escrito por obrigação, tentamos distribuí-la – mas sempre sem sucesso; para usar outra metáfora, a vitalidade nunca “pega”. Ou temos ou não temos, como saúde, olhos castanhos, honra ou uma voz de barítono. Poderia ter pedido um pouco da vitalidade dela, bem embrulhada e pronta para ser cozida e digerida, porém jamais teria conseguido – nem que mendigasse por mil horas com toda a minha auto-piedade. Só podia me afastar da porta da casa dela, portando-me com muito cuidado como louça de barro rachada, e ir embora para um mundo de amargura, onde estava formando um lar com materiais ali disponíveis, e citar para mim mesmo ao me afastar dali:
“vós sois o sal da terra. Mas se o sal perdeu o seu sabor, com que se há de salgar?”


F. Scott Fitzgerald
(imagem: esao andrews)