
Se estou lavando meus braços, é porque acho que preciso. Se lavo minhas mãos, desculpe, não é sem consciência. Lavo meus cabelos para tirar o cheiro. Lavo meu rosto para tirar a pintura. O pescoço, o perfume. A boca, meu sabor. Fecho meus olhos para protegê-los. E não é por medo, eu sei disso. Estou limpando minhas feridas. Minha pele vai ficando mais pura, aos poucos, mais fresca. Já tirei toda a roupa que guarda meu corpo, já me libertei nesse sentido. Isso eu também acho que foi preciso. De minha cabeça, vai se perdendo a reflexão – também lavo meus pensamentos. Meu coração vai se livrando, vai jogando as lembranças... os medos... os rostos dos meus amores...as saudades...as decepções... Pode parecer fácil, para os sãos, se jogar assim ao vento. Para os que se chamam de sãos, os que acham que são sãos. Mas a louca se senta no canto frio para tentar achar em si mesma o calor. E se me lavo a ponto de me encontrar insípida...
É para achar o quê, louca???
(shhhhhh...dessa vez eu vou guardar isso pra mim.)

2 comentários:
é, eu entendi
É para achar?
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