é que eu tenho um jardim secreto dentro de mim.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
terça-feira, 28 de agosto de 2007
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Tenho dias lindos, mesmo quietinhos...
Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo. Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio... Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo. Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros. Tive vontade de sentar na calçada da rua augusta e chorar, mas preferi entrar numa livraria, comprar um caderno lindo e anotar sonhos.
-
6 frases de Caio, unidas em um sentido tudo a ver.
me perco e me construo,
prontamente.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
textinho desgarrado

não, definitivamente minha vida não é um filme minimalista japonês. tá mais para filme turco sem sentido apaixonado ou daqueles italianos que eu adoro mas que são meio loucos, com aquelas mulheres descabeladas de risadas que dão medo, é bom ser louco assim, mas só enquanto arte, às vezes, eu acho, que aí é bom, quando é só arte e não vida. minha vida é feita de cenas de saias esvoaçantes, isso eu falei antes, e que aí fica meio francês, e de closes nas borboletas pregadas em meus cachos, nos cachos dos meus cabelos e isso eu já falei também, a confusão é sempre a melhor estratégia, pois é. os violinos estão sempre presente, isso sem dúvida, e muitas cores, muitas cores, e crianças também. e vento, tem isso também, e tem muita dança e pureza bandida. tem também bebida e palavras revoltadas, daquelas que nos fogem nos berros e depois a gente nem reconhece. e tem abraço e carinho e tem beijo desapegado e sentimento perdido e muito diálogo, sabia? muito di-á-lo-go.
hoje minha vida tá mais pra filme espanhol , com música sofrida gostosa e closes desfocados, e a diretora consegue manter o humor no que poderia ser um melodrama.
(imagem - La Jetée )
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Cheiro de vó
cheira a protetor solar, a pó de arroz, a bolo de natal. cheira a whisky, sabonete e cigarros. cheira a perfume forte, a esmalte e a Frank Sinatra. cheira a segurança , cheira a mimo. a denguinho e cafuné. cheira a chiclete da segunda gaveta (do lado da cama, no lado dela). cheira a gargalhada. cheira a seriado americano. cheira a novo pacotinho de figurinha - 10 para cada neto. cheira a domingo. cheira a tudo bem. a vai ficar bem.
a infância.
a lembrança.
cheira a medo de cheirar cheirava.
sia - sunday
(imagem - banksy)
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Para quem gosta do velho safado
xô fazer uma propaganda aqui.

Se bem que ele ia fazer isso de qualquer maneira...
Mas taí a dica, PÃO COM MORTADELA, no Teatro Leblon - 3as e 4as, às 21Hs, direção de João Fonseca, texto adaptado pelo diretor e pelo ator Sacha Bali (AÍÍÍ, SACHAAA!!!) que, por acaso, interpreta o próprio Henry. Maravilhosamente bem, aliás.

Gente, tem uma peça goshhtosa rolando no Teatro Leblon chamada Pão com Mortadela, texto inspirado no livro Misto Quente, do queridíssimo maldito Charles Bukowski. Simplesmente narra a infância e adolescência super lights de Henry Chinaski, protagonista (e personagem autobiográfico) de cinco livros do fofo, assim como histórias curtas e poemas. A peça é deliciosa, simples, real, sem frufru. Os atores são ótimos (e hilários) e mesmo tendo um conteúdo pesado, não cai no drama. Até porque se caísse, não ia fazer o menor sentido e até o próprio Bukowski levantaria da platéia, sairia do teatro e iria para o bar.
Se bem que ele ia fazer isso de qualquer maneira...
Mas taí a dica, PÃO COM MORTADELA, no Teatro Leblon - 3as e 4as, às 21Hs, direção de João Fonseca, texto adaptado pelo diretor e pelo ator Sacha Bali (AÍÍÍ, SACHAAA!!!) que, por acaso, interpreta o próprio Henry. Maravilhosamente bem, aliás.
“(bebemos aqui e falamos uns
com os outros e parecemos saber.)
pinte a vaca com as maiores tetas
pinte a vaca com a maior garupa
o cara do balcão faz deslizar uma cerveja pra mim
e ela percorre o trajeto”
Charles Bukowski
(pá finalizá cum classe)
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Don't you know your baby?
(às vezes não sei se sou real ou se sou um personagem de um dos meus romances...)

F. Scott Fitzgerald
“Em vez de sentir tanta pena de si mesmo, escute", disse ela. (Ela sempre diz “escute”, porque ela pensa enquanto fala, realmente pensa.) Assim, disse: “Escute. Suponha que esse desmoronamento não tenha sido em você... suponha que seja um desmoronamento no Grand Canyon.”
“Foi em mim”, eu disse heroicamente.
“Escute! O mundo só existe nos seus olhos, na sua percepção de mundo. Você pode fazê-lo tão grande ou tão pequeno quanto quiser. E você está tentando ser um sujeitinho fraco. Céus, se eu desmoronasse, tentaria fazer com que o mundo caísse comigo. Escute! O mundo só existe da maneira como cada um de nós o apreende, de modo que é muito melhor dizer que não foi você quem desmoronou: foi o Grand Canyon”
“Já despejou todo o seu Spinoza?”
“Não sei nada sobre Spinoza. Sei...” Então ela falou de antigas fendas suas, que pareciam, pelo modo como as contava, muito mais dolorosas que as minhas, e de como elas enfrentara, superara e derrotara.
Senti uma certa reação ao que ela disse, mas sou um homem de pensamento lento, e o ocorreu-me simultaneamente que, de todas as forças naturais, a vitalidade é a mais incomunicável. Nos dias em que a seiva flui dentro de nós como um artigo que não foi escrito por obrigação, tentamos distribuí-la – mas sempre sem sucesso; para usar outra metáfora, a vitalidade nunca “pega”. Ou temos ou não temos, como saúde, olhos castanhos, honra ou uma voz de barítono. Poderia ter pedido um pouco da vitalidade dela, bem embrulhada e pronta para ser cozida e digerida, porém jamais teria conseguido – nem que mendigasse por mil horas com toda a minha auto-piedade. Só podia me afastar da porta da casa dela, portando-me com muito cuidado como louça de barro rachada, e ir embora para um mundo de amargura, onde estava formando um lar com materiais ali disponíveis, e citar para mim mesmo ao me afastar dali:
“vós sois o sal da terra. Mas se o sal perdeu o seu sabor, com que se há de salgar?”
“Foi em mim”, eu disse heroicamente.
“Escute! O mundo só existe nos seus olhos, na sua percepção de mundo. Você pode fazê-lo tão grande ou tão pequeno quanto quiser. E você está tentando ser um sujeitinho fraco. Céus, se eu desmoronasse, tentaria fazer com que o mundo caísse comigo. Escute! O mundo só existe da maneira como cada um de nós o apreende, de modo que é muito melhor dizer que não foi você quem desmoronou: foi o Grand Canyon”
“Já despejou todo o seu Spinoza?”
“Não sei nada sobre Spinoza. Sei...” Então ela falou de antigas fendas suas, que pareciam, pelo modo como as contava, muito mais dolorosas que as minhas, e de como elas enfrentara, superara e derrotara.
Senti uma certa reação ao que ela disse, mas sou um homem de pensamento lento, e o ocorreu-me simultaneamente que, de todas as forças naturais, a vitalidade é a mais incomunicável. Nos dias em que a seiva flui dentro de nós como um artigo que não foi escrito por obrigação, tentamos distribuí-la – mas sempre sem sucesso; para usar outra metáfora, a vitalidade nunca “pega”. Ou temos ou não temos, como saúde, olhos castanhos, honra ou uma voz de barítono. Poderia ter pedido um pouco da vitalidade dela, bem embrulhada e pronta para ser cozida e digerida, porém jamais teria conseguido – nem que mendigasse por mil horas com toda a minha auto-piedade. Só podia me afastar da porta da casa dela, portando-me com muito cuidado como louça de barro rachada, e ir embora para um mundo de amargura, onde estava formando um lar com materiais ali disponíveis, e citar para mim mesmo ao me afastar dali:
“vós sois o sal da terra. Mas se o sal perdeu o seu sabor, com que se há de salgar?”
F. Scott Fitzgerald
(imagem: esao andrews)
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Primeiras impressões
(ou minha primeira egotrip)
Meu nome é Victoria, nasci no ovo que é o Rio de Janeiro e sou daquelas pessoas que não saem daqui por causa da praia, embora nunca lá coloquem o pé. Sou de áries ascendente em virgem mas não sei muito bem o que isso significa. Na verdade eu não acredito nessas coisas.
Vivo na contradição entre o místico e o ceticismo, e tento me considerar uma pessoa espiritual. Faço faculdade de filosofia e isso só tem piorado a minha circunstância. Odeio filosofia de bar e/ou no bar. Não gosto quando pessoas fazem citações em todas ou qualquer discussão.
Adoro pessoas que me fazem rir. Amo as que não se levam muito a sério. Idolatro as que riem de si mesmas.
Acho o cinema uma coisa sagrada e tenho uma incompreensão teimosa por aqueles que não gostam. Minha grande aspiração (para não chamar de sonho) é poder escrever e dirigir meus próprios filmes. Meus filmes preferidos são aqueles que terminam com as pessoas andando, andando assim, pra vida. Entende o que eu digo?
Gosto de todo e qualquer animal e sinto culpa até em matar formigas. Tenho preferência por gatos e não tenho absolutamente nada contra cachorros. Não sou vegetariana e não quero falar sobre isso.
Tenho muito medo do fim do mundo, principalmente de ondas gigantes. Impacto Profundo, apesar de ruim, foi um filme muito traumatizante na minha vida. Tenho sonhado muito com zumbis ultimamente e tenho também um medo irracional de tubarão dentro de piscinas. Ah, e escorpiões. Não gosto de escorpiões.
Tendo a ser uma pessoa sarcástica mas sou uma forte partidária de que sarcasmo também é carinho. Normalmente choco as pessoas com minhas demonstrações de afeto por elas, sejam por frases ou abraços, e acabo deixando-as envergonhadas. Acho graça.
Pego muito ônibus e metrô, e me distraio criando histórias sobre os outros passageiros. De vez em quando sou pega de surpresa os encarando e acabo dando um sorrisinho. A maioria não se convence e começa a achar que tem alguma coisa de errado com eles. Não, não sou uma pessoa estilinho-amélie-poulain-da-vida. Nem gostei muito desse filme. Da música eu gostei.
Sou excentricamente romântica, acho que é porque assisto muitos filmes. Sou meio paranóica, meio lunática, meio maternal, meio boba e meio melancólica. Já fui chamada de serena, de tantã , meiguinha, bucólica, inconsequente...
Acho que convém.
Meu nome é Victoria, nasci no ovo que é o Rio de Janeiro e sou daquelas pessoas que não saem daqui por causa da praia, embora nunca lá coloquem o pé. Sou de áries ascendente em virgem mas não sei muito bem o que isso significa. Na verdade eu não acredito nessas coisas.
Vivo na contradição entre o místico e o ceticismo, e tento me considerar uma pessoa espiritual. Faço faculdade de filosofia e isso só tem piorado a minha circunstância. Odeio filosofia de bar e/ou no bar. Não gosto quando pessoas fazem citações em todas ou qualquer discussão.
Adoro pessoas que me fazem rir. Amo as que não se levam muito a sério. Idolatro as que riem de si mesmas.
Acho o cinema uma coisa sagrada e tenho uma incompreensão teimosa por aqueles que não gostam. Minha grande aspiração (para não chamar de sonho) é poder escrever e dirigir meus próprios filmes. Meus filmes preferidos são aqueles que terminam com as pessoas andando, andando assim, pra vida. Entende o que eu digo?
Gosto de todo e qualquer animal e sinto culpa até em matar formigas. Tenho preferência por gatos e não tenho absolutamente nada contra cachorros. Não sou vegetariana e não quero falar sobre isso.
Tenho muito medo do fim do mundo, principalmente de ondas gigantes. Impacto Profundo, apesar de ruim, foi um filme muito traumatizante na minha vida. Tenho sonhado muito com zumbis ultimamente e tenho também um medo irracional de tubarão dentro de piscinas. Ah, e escorpiões. Não gosto de escorpiões.
Tendo a ser uma pessoa sarcástica mas sou uma forte partidária de que sarcasmo também é carinho. Normalmente choco as pessoas com minhas demonstrações de afeto por elas, sejam por frases ou abraços, e acabo deixando-as envergonhadas. Acho graça.
Pego muito ônibus e metrô, e me distraio criando histórias sobre os outros passageiros. De vez em quando sou pega de surpresa os encarando e acabo dando um sorrisinho. A maioria não se convence e começa a achar que tem alguma coisa de errado com eles. Não, não sou uma pessoa estilinho-amélie-poulain-da-vida. Nem gostei muito desse filme. Da música eu gostei.
Sou excentricamente romântica, acho que é porque assisto muitos filmes. Sou meio paranóica, meio lunática, meio maternal, meio boba e meio melancólica. Já fui chamada de serena, de tantã , meiguinha, bucólica, inconsequente...
Acho que convém.
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